domingo, 2 de outubro de 2011

POMBA BRANCA

POMBA BRANCA

        Lá estava eu gastando o meu precioso dinheiro, sou uma mulher muito rica com muitas posses em meu nome, tenho carros e casas luxuosas, consumo comidas e bebidas finas. Não tenho filhos e nem sou casada, só pensava em gastar e comprar tudo que o dinheiro pudesse dar. Em uma dessas compras eu gastei o equivalente a vinte mil reais em apenas quinze minutos, comprei um lindo anel e não me arrependi de gastar, eu tinha e podia. As minhas amizades eram apenas com pessoas da alta sociedade e uma de minhas amigas me convidou para ir a Londres. Eu adorei a idéia, marcamos a viagem que demoraria horas, minhas amigas me esperariam no aeroporto bem cedo. Fiz minhas malas e levei muitas jóias, uma para cada dia da semana naquela cidade linda. Toda minha fortuna foi herança de família, eu era a única herdeira após a morte de meus pais, pois sou filha única. Eu detestava animais, e os achavam bichos nojentos e asquerosos. Sou muito rígida e rigorosa com a limpeza de minha casa, gosto de tudo muito bem limpinho. Lá em minha casa verifico se minhas empregadas domésticas estão limpando tudo certinho. Se não estiver do meu jeito faço com que limpem novamente até esteja do meu agrado. Aquelas tolas choram com minha rigidez, mas não despensa o serviço, eu pago muito bem.
        Chegando ao aeroporto lá estavam minhas amigas, nos cumprimentamos e seguimos rumo a Londres. Fizemos reserva na primeira classe, tudo de primeiro, o atendimento diferenciado, comidas caras e drinques sofisticados, tudo do jeito que gosto. Com tanto luxo me deu um soninho e dormi, na metade do vôo ouvi barulhos no avião. Acordei assustada e perguntei para a aeromoça o que estava acontecendo, o avião balançava muito. A aeromoça tentou nos acalmar, mas percebemos que havia algo errado. Minhas amigas e eu ficamos sentadas, apavoradas e decidimos não usar mais aquela companhia aérea, pois era muito desorganizada. A aeromoça pediu para abaixarmos nos nossos assentos e que ficássemos quietas, pois tudo iria ficar bem e sob controle. Levantei meu corpo e olhei na janela, o avião estava bem perto da água, me assustei e desmaiei. Ao acordar meu corpo estava frio e gelado, eu estava sentada em minha poltrona. Na hora em que abri meus olhos a agonia tomou conta de mim, eu estava no mar. Olhei e vi os destroços do avião e muitos corpos submersos, me apavorei e entrei em desespero, não encontrei minhas amigas, todos haviam morrido e só eu me salvei. Quando desmaiei nem percebi que as águas me levaram para perto da praia, havia muitos destroços do avião e pertences dos passageiros por toda parte. Parecia que tive a proteção de algum anjo por que só eu tinha me salvado daquele horrível acidente. As águas pareciam que me guiavam até as margens da praia. Quando cheguei à praia estava fraca, com muito frio e medo. Levantei-me e vi muitas bagagens que estavam na margem, abri algumas procurando algo para comer, não encontrei comida, apenas roupa então foi explorar o lugar com muito medo e sede. Caminhei mata adentro, aquele lugar era medonho, muitos bichos e cobras. Eu chorava tão alto que os bichos se aproximavam de mim, e cansada deitei perto de uma árvore para descansar e dormi durante horas. Sonhei com todo meu conforto que ficou para trás e ao acordar estava escuro e chovendo, barulhos tenebrosos por toda parte. Foi nesta hora que me lembrei de rezar, coisa que há anos eu não fazia. Rezei a noite inteira e ali eu permaneci até o clarear do dia. Dois dias se passou desde o dia do acidente e eu caminhava por toda a mata e não encontrava nada para comer. Cansada de tanto andar me sentei nas folhas no chão e pude ver algo levantando as folhas. Fiquei olhando quando vi uma cobra enorme, sai correndo e acabei caindo e não vi que tinha um galho seco no meu caminho. O galho entrou em minha perna esquerda senti muita dor, fiquei apavorada com tanto sangue que saia e me desesperei. Criei coragem, mas consegui tirar o galho de minha perna, rasguei um pedaço de minha blusa e amarrei bem apertado em meu ferimento, à dor era insuportável. E ali fiquei chorando, me sentei no chão e de cabeça baixa ouvi um barulho nas arvores. Olhei para cima e vi uma linda pomba branca, fiquei admirada ao ver algo tão lindo. A pombinha pousou no chão e se aproximou de mim. Ela me deixou acariciar sua cabecinha, ela ficou perto de mim e a imagem do bicho me transmitiu paz e esperança da minha salvação. A pomba andava de um lado para o outro, parecia que queria me mostrar algo. Levantei-me e segui a pomba que me guiou até um riacho com água doce e com muitas bananeiras na margem. Abaixei-me no chão e tomei a água que tinha um gosto delicioso, que jamais tinha experimentado mesmo com tanto dinheiro. Peguei as bananas, tão docinhas, tiradas do pé, que gosto bom. As frutas que crescem no meio do mato são mais saborosas. Ali fiquei durante dez dias, eu e minha fiel amiga pomba. Os dias não passavam ao meio da floresta. Ouvi barulhos na floresta e me escondi atrás das árvores, meu ferimento estava infeccionado e a dor era insuportável. O barulho se aproximou do lugar que eu estava, ouvi gritos de pessoas e sem pensar no que poderia ser eu respondi:
        - Estou aqui, me ajude.
        Era a equipe de resgate que estava procurando sobreviventes. Eu me senti muito feliz ao ver pessoas novamente e por saber que estava salva. Um dos soldados era médico, ele me examinou e me levou no colo. E junto comigo levei minha amiga pomba, cujo teu nome é Salvação, foi o nome que encontrei para ela. Fui embora para casa e me recuperei. O que serviu de lição de tudo que passei foi que nesta vida não devemos ser pessoas ignorantes e mesquinhas. O dinheiro não é nada diante da beira da morte, o luxo, as jóias, o conforto, podem acabar em segundos sem que você perceba. Hoje em dia eu invisto meu dinheiro para associações de caridade e abrigos que cuidam de animais abandonados. Minha amiga Salvação sempre me acompanha, ela e outros bichos que adotei. Em nossas vidas muitas vezes temos que tropeçar e cair para ver onde está o erro. Foi o que aconteceu comigo, cai, tropecei, me levantei e aprendi a lição. Procurei um caminho a seguir e o que mais me completou plenamente foi o espiritismo. Aprendi tudo sobre a vida após a morte e tenho o prazer de participar de sessões espíritas. Hoje estava dormindo em minha casa, quando um anjo chamado Josuel apareceu e disse que me traria espiritualmente até a mensageira para contar toda a história de minha vida.
 Não importa qual a religião que você segue, o que realmente importa para Jesus é que busquemos teu nome para que possamos viver nossas vidas sem tropeços. Que Deus guie nossos passos e nos desvie de caminhos errados.

          Depoimento de uma pessoa anônima.
                Traduzido por Chico Xavier.
                Psicografado por “Minha Querida”.

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