SUPERAÇÃO
Minha mãezinha tinha dezoito anos e estava grávida de seis meses, do seu primeiro namorado. Os dois muito novos e irresponsáveis não ficaram felizes com a minha presença no ventre de mamãe. Ela escondeu a gravidez de toda sua família e enrolava faixa na barriga com roupas largas para me esconder. Papai também não contou nada sobre mim, os dois mantiveram segredo. Mamãe não sabia mais como me esconder, pois tua barriga cada dia crescia mais. Papai sugeriu a seguinte idéia para mamãe, ele sabia de um amigo também muito jovem com o mesmo “problema” – sua namorada estava grávida e ele a levou até uma mulher que sabia fazer abortos e quando a moça saiu de lá não carregava mais nada em teu ventre. Minha mamãe com medo de possíveis reações de meus avôs, que eram muito conservadores, ela e papai decidiram livrar-se de mim. Meu pai marcou com a mulher assassina e levou minha mãe e lá chegando à mulher perguntou:
- Onde está a barriga?
Mamãe levantou a sua blusa e mostrou a faixa que tanto me apertou. A assassina sorriu e disse:
- Garota esperta! De quantos meses você está?
Mamãe respondeu:
- Estou de seis meses. Tem como tirar o bebê?
A assassina respondeu:
- O bebê está bem grande, mas podemos tentar. Isto vai lhe custar caro.
Meu papai respondeu:
- Não tem problema, pago até mais.
A assassina mandou minha mãe ir até a sala para se despir e aguardar deitada na maca. Papai ao lado de mamãe apoiando tudo. A assassina entrou no quarto e mostrou para os dois os seus instrumentos de trabalho: um único comprimido e uma sonda. Mamãe tomou o remédio e depois começou as seções de tortura. Como senti fortes dores em minha costa, aquela assassina me furando com aquele objeto estranho. Minha mãezinha sangrava muito, sentindo dores intensas e meu pai se desesperou e pediu para a assassina parar. A mulher diz:
- Não posso a criança ainda tem vida.
Meu pai arrancou violentamente das mãos da assassina seu brinquedo que me feriu. Ele carregou a mamãe nos braços e o desespero tomou conta de seu espírito. Mamãe estava prestes a morrer, papai correu para a rua e pediu socorro para os carros que ali passavam. Os motoristas se assustavam ao ver tanto sangue escorrendo de minha mãe, ela estava tendo fortes hemorragias. Um motorista bondoso parou e ajudou papai a levar mamãe para o hospital. Chegando lá os médicos atenciosos tentaram salvar minha mãe. Eles fizeram uma cesariana de emergência e eu lá dentro do ventre todo machucadinho, não podia ajudar em nada, eu só fiquei quietinho esperando ajuda. Senti uma mão gelada e pesada me puxando, chorei, não sabia quem eram aquelas pessoas de branco. Os médicos colocaram um cano em minha boca, tamparam meus olhos e me colocaram em uma caixa de vidro com dois buracos dos lados. Sem noticias de mamãe eu chorava, todos os dias alguém vinha me visitar e fazer curativos em mim. Eu ouvia aquela voz falar comigo “que tudo iria ficar bem”.
Passaram três meses após o meu nascimento e eu me recuperei das dores que havia sentido, abri meus olhos e vi muitas pessoas de branco a minha volta. Todos pareciam felizes, olhei e reconheci a voz que falava comigo todos os dias, era uma enfermeira linda. Observei que ao meio dos médicos um jovem se aproximou de mim e pediu perdão, eu fiquei confuso, não sabia quem era aquele homem e nunca tinha sentido sua presença. Só percebi quem era quando ele diz:
- Meu filhinho.
Aquele moço era meu papai que tanto esperei para conhecê-lo. Ele disse:
- Filho, eu vou pagar pela morte de tua mãe e o que fiz de mal para você, me perdoe.
Parecia que o jovem rapaz estava se despedindo, ele e a assassina foram presos sem nenhuma chance de se inocentar. Eu era a prova viva de um crime quase perfeito, só não concretizou por que eu sobrevivi.
Lá eu estava sozinho no hospital esperando alguém para ir me buscar. Meus avos maternos souberam de minha existência, que tanto mamãe escondeu, e através de tua morte tudo foi esclarecido. Minha vovó chegou perto de mim e se emocionou quando me viu. A enfermeira protetora disse para ela me pegar em seus braços. Meus machucados na carne haviam cicatrizado, mas no espírito permaneciam. Vovó me pegou em seus braços, seus olhos se encheram de amor e alegria mesmo eu sendo diferente, minha aparência lembrava mamãe. Vovó diz baixinho em meu ouvido:
- Eu vou cuidar de você meu anjo e o amor que vamos transmitir para você vão fazer com que nunca se lembre o que aconteceu.
Minha vovó nem imaginava que eu era uma criança especial enviada por Jesus. O aborto que mamãe sofreu causou problemas em mim, aquele objeto estranho que a assassina usou para me ferir machucou meu corpinho, que estava muito frágil. Ela conseguiu lesionar minha coluna, me tirando o direito de andar e falar com as pessoas. Eu ficava deitado ou às vezes sentado em minha cadeira de rodas. Vovó cuidava muito bem de mim, mesmo tendo poucos recursos.
Quando completei sete anos, meu avô achou que eu pudesse aprender a ler e a escrever. Por algum motivo ele achou que eu era capaz, ele contratou uma professora que morava perto de minha casa e essa professora foi à luz que surgiu ao meio do escuro profundo que eu estava me encontrando sem fazer nada. Eu não mexia as minhas pernas, pouco eu levantava as mãos, tudo dependia de vovó. A professora muito paciente me ensinou a ler e a escrever, ela pegava em minhas mãos, colocava um lápis e eu escrevia com a ajudar de meu anjo – minha professora. Todos os vizinhos, quando souberam que eu estava aprendendo a ler e escrever, riram e desacreditavam que eu fosse capaz, mas eles não sabiam que eu era especial. Jesus mandou meu espírito na Terra para mostrar possíveis superações, meu cérebro trazia comigo lembranças de minha vida anterior e por algum motivo sem explicação não foi totalmente apagado. Fleches de lembranças permaneciam em mim. Minha professora me ensinou tudo o que uma criança aprende na escola e ali ela continuou me ensinando até meus treze anos. E sem respostas de minha parte ela sentiu que não havia dado resultado, tudo que aprendi eu não reagia e nem demonstrava, mas eu queria surpreender todos que me incentivaram. Minha professora sempre deixava um papel e um lápis na cabeceira de minha cama e quando ela foi se despedir de mim ela disse:
- Vou embora meu amor e mesmo sem você dizer nada e nem me mostrar algum sinal que aprendeu estou feliz de ter participado de sua vida. Eu te amo.
Ela beijou meu rosto tomando muito cuidado com a sonda em meu nariz, depois ela colocou o papel e o lápis na minha mão e foi embora. Logo em seguida senti uma mão segurando bem forte a minha e pude ver um lindo anjo. Eu me assustei e obedeci a suas ordens, ele me fez pegar o lápis e começar a escrever. Consegui escrever agradecimentos e elogios para minha professora e escrevi que tinha perdoado toda a maldade de meus pais. E ali em meu quarto com o anjo eu escrevia coisas lindas, e quando vovó entrou no quarto se assustou a me ver escrevendo. Ela gritou para meu avô e disse:
- Venha ver aconteceu um milagre!
Vovô consegue avisar minha professora e ela vem novamente me ver e se surpreende ao ver a mensagem que escrevi para ela. Em uma dessas mensagens eu contei sobre o lindo anjo presente ao meu lado e revelei teu nome: Josuel. Todos se emocionaram e se encantaram com a mensagem, o anjo me revelou que em outra vida eu havia sido um famoso escritor e não cumpri nada que eu havia prometido. Por isto eu tive que passar por tudo que foi posto em meu caminho e mesmo todo debilitado e vegetativo cresci e me tornei um homem que o corpo era frágil, mas o espírito muito forte e cheio de sabedoria. Todos que me visitavam se emocionavam ao ver tamanha prova viva de superação. Minhas mensagens, ditas por Josuel, consolavam mães que estavam na mesma situação de meus pais, muitas prontas para evitar um nascimento, mas quando liam as mensagens paravam, refletiam e deixavam à vida florir. Cada aborto que eu evitava minha sabedoria aumentava. Escrevi um livro que nunca foi publicado, está guardado, cujo nome é: “Minha vida interrompida”. Em breve o livro será publicado, as pessoas que estão de posse deste livro após lerem esta mensagem tirarão o livro da gaveta e irá publicá-lo.
Com o passar do tempo minha saúde se debilitou, Josuel se aproximou de mim e disse:
- Você vai fazer uma viagem, vai voar igual um pássaro e vai posar nos braços de Jesus. Não tenha medo, eu estarei com você, outras missões o espera e levará contigo o mesmo nome: “João”. Ficará junto a mim passando mensagens de reflexão para o mundo.
Fiz minha passagem dormindo, chegando ao outro lado minha recepção foi glamurosa. Fui recepcionado pelas madres que trabalham do outro lado da vida, parecia que eu já as conhecia. Tornei-me um mensageiro de Jesus e hoje eu digo:
- Se alguém pensa em interromper uma vida, pare agora e pense. Poderia estar gerando um mensageiro de Jesus. Ninguém tem o direito de se livrar de um espírito que ainda nem nasceu para se defender. Não seja covarde e encare os atos por que após a morte não terás paz, nem queiram imaginar o lugar que ficam os assassinos de pequenos anjos inocentes. Pensem e reflitam!
“João – Um pequeno cervo do senhor e parceiro dos filhos da luz que lutam pela paz”.
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